O BiodiverCidade é um fórum de discussão criado por docentes do curso de Licenciatura de Ecologia e Paisagismo da ESAViseu onde são debatidas questões de planeamento e desenvolvimento estratégico, em questões relacionadas directa ou indirectamente com o ambiente e a biodiversidade da cidade de Viseu ao nível dos recursos naturais mas também culturais.


quarta-feira, 24 de março de 2010

O MOSTAJEIRO está a SALVO mas...


Se bem se recordam o Mostajeiro foi o alvo da primeira crónica neste blogue, intitulada "Salvem o Mostajeiro". Ficamos muito contentes por não termos contribuído para a preservação do Mostajeiro. A CMViseu já há muito havia acautelado esse facto. Vai ficar no meio do separador das quatro faixas da entrada/saída de Viseu para Nelas. Sem dúvida uma óptima ideia porque aliás este exemplar faz parte do património arbóreo da cidade de Viseu. Mas então não vamos poder comer o famoso doce de mostajeiro, porque os seus frutos vão ser "adocicados" com Chumbo (Pb). Bem, de facto não vamos poder comer o doce que poderia ser elaborado pela ESAV, mas podemos sempre comprar na Quinta da Maúnça na Guarda. Quem guarda as suas tradições acautela o seu futuro.

terça-feira, 23 de março de 2010

ESAV'S HAIRY SNAIL




Mais uma pérola do nosso campus... um caracol peludo!!!
De seu nome científico Trichia hispida ou Trochulus hispidus, este pequeno habitante de tão académicas paragens não é facilmente encontrado por aí como os seus parentes carecas de maior tamanho. Podem descobri-lo sobre as paredes brancas dos nossos pavilhões de salas ou gabinetes e observem com atenção a penugem inconfundível deste nosso inóspito visitante.
Com cerca de 3 a 4 mm na fase adulta, conserva os pêlos enquanto jovem e, tal como alguns de nós, encontra a calvície só na fase adulta. Alimenta-se de folhas jovens e tenras mas não é encarado como uma praga, ao contrário de outras espécies de caracol (género Helix).
Há aspectos interessantíssimos sobre esta espécie, como um "dardo do amor", que deixarei para o segundo capítulo da saga "ESAV'S HAIRY SNAIL".

Até breve.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A LUTRA continua


Este foi o slogan de um projecto de candidatura ao Ciência Viva realizado pelo Instituto Vaz Serra pela mão do seu Director, o meu Amigo Carlos Miranda, que já foi convidado a contribuir e que espero ansioso pela sua resposta. Este é um exímio fazedor e criador de projectos com nome. Com muita pena dos vários projectos que teve aprovados este foi rejeitado. Porquê? Falta de sensibilidade pelos decisores do Ciência Viva? Não acredito! Talvez o receio de quem esteja por detrás desta designação possa ter motivações anarcas. Quem o conhecer saberá que isso não é verdade. Mas ele contrapôs com um outro slogan "Não viramos a cara à Lutra".
Esta introdução vem a propósito de termos um casal de lontras (Lutra lutra) que eram o móbil desse projecto, na lagoa das Garças na ESAV. É tempo de a autarquia reunir connosco e fazermos um trabalho sério e científico para caracterizarmos e monitorizarmos este ecossistema fundamental para a cidade e criarmos uma zona de paisagem protegida em Viseu, que a autarquia o pode fazer. Este é mais um apelo sério e credível que faço e a ESAV tem responsáveis científicos que podem ajudar a CMViseu nesse processo.

A comemoração da BIODIVERSIDADE em PROENÇA


No sábado do limpar Portugal, Proença para além de fazer inciativas de limpar o Concelho também resolveram organizar um workshop relacionado com a Biodivercidade no Centro Ciência Viva da Floresta. Em relação ao limpar que, foi o menos importante, o lixo por eles recolhido é enviado para Castelo Branco, o que é sem dúvida uma boa ideia. Quanto ao evento sobre Biodiversidade estiveram presentes dois secretários de Estado, o do Ambiente e o das Florestas. Não tive oportunidade de ouvir a primeira intervenção de Humberto Rosa, mas o que me foi transmitido é que foi de uma extraordinária valia e visão apelando à necessidade de quantificar o quanto vale a preservação da biodiversidade em termos económicos para a sociedade em geral e para cada um de nós em particular. Urge fazer esta avaliação e transmissão às sociedades para que possam perceber "na pele" o quão importante é preservar. A razão de não ter podido estar presente foi porque fiquei retido num grave acidente em Condeixa/Penela em que um voluntário do limpar foi atropelado com gravidade. Isto levanta outra questão? será que os citadinos estavam preparados para irem para o campo limpar e saberem-se defender devidamente dos perigos, ou pensavam que era para irem para os hipermercados e centros comerciais. Lembrem-se que na Madeira quem se defendeu pior foram os habitantes da polis, se bem que neste caso houve situações que exponenciaram a desgraça. Curioso vão ser as notícias que irão surgir daqui a 2-3 dias em que os jornalistas vão passar pelos locais onde se procedeu à limpeza e confirmarem que está tudo na mesma, salvo honrosas excepções.
Em relação à importância da Biodiversidade para Viseu, pergunto se em Viseu está prevista alguma acção no âmbito do ano da Biodiversidade? Estou disponível para em conjunto com as forças vivas da cidade podermos desenvolver alguma realização conjunta neste domínio. Eu posso estar muito enganado e a CMVIseu estar cheia de boas intenções em relação ao Ano da Biodiversidade, a questão é continuarmos todos alegremente de costas voltadas. Eu dou o primeiro passo e fico a aguardar de peito aberto.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O cedro da VIA SACRA caiu... antes do tempo!

Já não recordo há quanto tempo me solicitaram para fazer uma avaliação do estado biomecânico dos Cupressus do colégio da Via Sacra. O que me lembro é que o parecer foi abatam-no antes que ocorra uma desgraça. Hoje estive em fila perto do colégio por volta das 17h o que já é normal, mas por uma razão diferente. Havia caído o cedro da Via Sacra. Suponho que graças a Deus não atingiu ninguém. Mas a mensagem é a seguinte, quando quiserem um parecer mas que não seja para actuar de uma forma pró-activa não incomodem os técnicos. É que foram envolvidos os serviços florestais de Viseu que por terem um estreita colaboração com a ESAV e por termos recursos mais especializados nesta temática, disponibilizamo-nos de imediato para fazer a avaliação a custo zero. Foram precisos, julgo que dois anos para registar o ocorrido. Da próxima não peçam parecer, porque são uma autêntica bomba relógio. Chamem-nos o que quiser, "profetas da desgraça" ou outras coisas ainda mais fortes, mas por favor não nos chamem!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ginkgo biloba... um fóssil AO VIVO


Quando o narrador pensa em contar uma história repleta de fantasias e heroísmo com um final feliz, a Ginkgo biloba desempenha na perfeição o papel do personagem principal na sua narrativa. «Era uma vez...» na Era Paleozóica (270 M.a.), um grupo de gimnospérmicas (Ginkgoales) que testemunharam a criação e o desaparecimento de muitas espécies e assistiram com serenidade ao último suspiro dos dinossauros, tendo sido quase vencidas na luta desigual com o tempo, na qual apenas o género Ginkgo resistiu. Árvore peculiar, de folha caduca que se tornou "perene" no tempo, venceu glaciações e cataclismos geológicos, mantendo-se praticamente inalterável ao longo de 150 milhões de anos. A sua resistência extrema, atingiu o epílogo ao assistir com quietude ao rebentar da bomba atómica de Hiroshima a seu lado, convertendo-se nesse momento, num verdadeiro baluarte pela paz.
Com origem na China, onde se podem encontrar árvores no estado natural com mais de 3500 anos, pensou-se extinta até 1691, altura em que o botânico e físico Alemão Engelbert Kaempfer a redescobriu no Japão, descrevendo-a no seu livro Amoenitatum exoticarum (1712). Na actualidade, com ampla distribuição por todo o mundo, fruto de um processo de preservação e disseminação, que se iniciou em 1192 para o Japão e Coreia, pela mão dos monges budistas, só no séc XVIII "viajou" para a Europa (Holanda e Inglaterra) e América do Norte, onde é um marco obrigatório em Jardins Botânicos e parques urbanos das principais cidades do Mundo.
Designada por Darwin (1859) como um fóssil vivo, por gravar a memória dos tempos que os seres humanos só podiam conhecer pela interpretação das rochas, constituí um estandarte de perseverança guardando segredos do imensurável passado. Primitiva nas características morfológicas e fisiológicas, conseguiu vingar na competição da biodiversidade, utilizando o vento como agente polinizador (anemófila), possuindo folhas percorridas por nervuras ramificadas dicotomicamente que se estendem desde o pecíolo até à acícula plana e revelando um sistema de reprodução, que ilustra bem o que poderão ter sido os primeiros passos na evolução das gimnospérmicas.
Ao nível das aplicações medicinais, a Ginkgo constitui o exemplo perfeito da aliança entre a medicina tradicional e a ciência moderna. O primeiro registo do uso medicinal das folhas, terá sido mencionado na Materia medica Chinesa (Pen Tsao Ching) em 2800 a.c. e atribuída ao imperador Shen Nung, revelando qualidades de activador da circulação sanguínea. A utilização das folhas de Ginkgo biloba para tratamento de doenças da função cerebral, dada a sua semelhança aparente com os hemisférios cerebrais, fazia apologia da doctrine of signatures, na qual os orgãos das plantas propiciavam o tratamento de doenças em orgãos humanos morfologicamente semelhantes. No Ocidente, apenas no final da década de 1950 se iniciaram os estudos da utilização medicinal, que vieram a laurear o Dr. Elias J. Corey da Universidade de Harvard em 1990 com o prémio Nobel da Química, pela síntese total do ginkgolide B.
A ascensão meteórica na popularidade da Ginkgo nos últimos 15 anos, deveu-se à descoberta de uma multiplicidade de compostos químicos, que desempenham um papel determinante no tratamento de problemas respiratórios, motores, vasculares e na protecção das células em particular das cerebrais. Os terpenos (ginkgolides e bilobalides), propiciam uma aumento da circulação sanguínea com subsequente fornecimento de glicose e oxigénio. As propriedades anti-oxidantes conferidas por um conjunto de compostos dos quais se destacam os flavenóides (Kaemp-ferol; quercetina; isorhamnetina e protancianidinas) protegem as células dos danos causados pelos radicais livres. Por último, os ginkgolides (A, B e C), têm revelado a capacidade de bloquear um mediador designado por platelet-activating factor (PAF), inibindo respostas alérgicas como a constrição bronquial e úlceras gastro-intestinais, estando o PAF igualmente implicado na asma, rejeição na transferência de orgãos e arritmias cardíacas.
Este texto pretende ser um tributo para a preservação e divulgação de uma espécie, que para além do seu passado histórico repleto de sucessos, tem o mérito de demonstrar a insignificância da longevidade do Homem face à geneologia desta árvore, desempenhando desde tempos imemoriais o papel de "Guardiã" deste nosso planeta.
Vem esta crónica a propósito de eu ter oferecido aos viveiros da CMViseu a primeira Ginkgo biloba que ficou ao cuidado do Sr. Carlos. Hoje Viseu tem algumas Ginkgo na calçada da Feira de São Mateus que mereciam ser dadas a conhecer às pessoas para que possamos conhecer melhor as árvores da nossa cidade.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ao abrigo da CORTIÇA


A sugestão de ser construída uma estrutura de apoio perto da Lagoa das Garças, tem vindo a ser alimentada desde há muito tempo. Uma estrutura simples de dimensões limitadas que pudesse servir como um pequeno bar de apoio e um local em paliçada onde se pudessem ser colocadas algumas mesas e cadeiras tudo em madeira completamente integradas na paisagem. tornar-se ia o local de estudo privilegiado da ESAViseu e não só. Resta aproveitar a ideia do arquitecto Português David Mares, um dos dez finalistas do concurso promovido pelo Fundação Guggenheim e pedir a sua colaboração para desenhar essa estrutura em cortiça, um material muito nosso e com qualidades ímpares e uma tonalidade que se enquadra perfeitamente na paisagem. Posso assegurar que seria um êxito.
Aproveitando a ideia veiculada pelo José Manuel Costa de criar um jardim de aromáticas, sugiro romper com a norma e criar um jardim de plantas comestíveis, seria o primeiro na região e dos primeiros no país. Por ser numa escola criar toda a sinalética acessória e a divulgação das qualidades nutricionais de cada uma das plantas.
Para vermos que vamos muito à frente, no Liceu Alves Martins estão a derrubar árvores com décadas , castanheiros, ciprestes para plantarem um pomar de macieiras. Nós ja estamos para derrubar as nossas. O que virá a seguir? Se calhar alcatrão!